Excesso de chuvas afeta produção de trigo na região

Até o dia 20 de outubro, o volume de chuvas no acumulado do mês já tinha superado os 200 milímetros na região dos Campos Gerais. Esse valor, 35% maior que o esperado para todos os 31 dias do mês (150 mm), impactou negativamente em algumas áreas agrícolas, especialmente aquelas mais ao norte da regional, onde o trigo já estava pronto para ser colhido. O momento mais sensível do cultivo é justamente esse, já que há uma curta janela para fazer a retirada do campo, a partir do momento que ele estiver pronto para a colheita. E o excesso de chuvas, que molha as plantas e deixa o solo encharcado, impede a retirada, trazendo a queda na qualidade ou até perda, em alguns casos. 

“Alguma coisa perdeu em Arapoti, em Tibagi, mas felizmente o tempo melhorou desde sexta-feira (19). Não deu colheita na sexta-feira, mas no sábado em algumas áreas foi possível colher e no domingo conseguiram entrar com as máquinas no campo”, informa Luiz Alberto Vantroba, economista do núcleo regional do Departamento de Economia Rural (Deral), que é vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). Embora o tempo tenha ficado mais estável até terça-feira, nesta quarta mais uma vez o clima não contribuiu – e o Simepar prevê chuvas até sexta-feira, o que pode trazer mais redução na produção e na qualidade do trigo. 

Até o momento, explica o profissional do Deral, cerca de 30% do trigo foi colhido, e essa janela de retirada do cultivo do campo segue até o dia 15 de novembro. São, portanto, mais três semanas, porém o momento da maturação depende do momento em que o trigo foi plantado. “Há umas duas semanas, o pessoal começou acolher, mas teve que interromper em função das chuvas na semana passada. O pessoal aproveitou esses últimos dias para fazer a colheita e deixar a colheita mais ou menos em dia. Não deu para avançar em algumas áreas porque ainda tem áreas verdes, que não no ponto ainda”, relata. Na terça-feira, Vantroba explica que visitou uma área na região onde a colheita avançava a todo o vapor.

Em visitação em uma área nesta terça, Vantroba relatou uma média de 3,5 mil quilos por hectare. “Estavam colhendo bem. E o preço também está bom ao produtor, na faixa dos R$ 850 o disponível”, completa.


Cultivo é sensível na colheita

Para o trigo, a qualidade é fundamental. Seu principal uso é para a produção de farinha, porém se houver muita chuva, ocorre a germinação do grão na espiga ou acaba escurecendo. “Germinando ou escurecendo, fica inviável para a produção de farinha para fins industriais. Aí cai para a ração e o preço é irrisório; Talvez o produtor não chega a colher, porque não viabiliza o custo da hora da máquina”. A partir do momento que estiver pronto para a colheita, dependendo da variedade, explica Vantroba, não pode ficar mais que dois ou três dias sem ser colhido – caso contrário, perde qualidade.